“O pior não é perder o olfato, e sim o tato.”
Fabrício Carpinejar
Aos 69 anos, partiu Geraldo Sebastião de Sousa, deixando uma memória firme e serena como seu próprio jeito de ser. Homem de fé, valores sólidos, trabalho incansável e coração justo, ele ensinou, com o exemplo, que tudo que vale a pena é conquistado com esforço e honestidade.
Filho de João Francisco de Sousa e Carolina Pereira de Sousa cresceu numa família construída em duas etapas: teve como irmãos Donizete, Daltiva, Maria Izabel e Antônio; e, após o segundo casamento do pai com Gercina Caixeta de Souza, vieram José Wilson, João Carlos, Jeová, Jaques e Gilson.
Casou-se em 23 de julho de 1977 com Matildes Silva e Sousa (†08/03/2021), sua companheira de vida, com quem compartilhou uma história de amor e superação. Juntos formaram uma família unida, orgulhosos por suas raízes coromandelenses e pelas terras às margens do rio Santo Antônio, onde a história dos dois teve início de um lado, a família de Geraldo; do outro, a de Matildes. Desse amor nasceram os filhos Gislaine da Silva Sousa e Welton da Silva Sousa.
Na juventude, foi um apaixonado por futebol. Considerado um dos craques do time da região, guardava histórias e amizades vindas das comunidades do Santo Antônio, Laje, Taquara, Catitu, Mateiro, Rocinha e Pântano. Seu amor pelo esporte perdurou por toda a vida, e seus times do coração Santos e Cruzeiro que sempre tiveram lugar cativo em suas conversas.
Geraldo era daqueles que madrugavam com o canto dos galos. Ainda jovem, aprendeu com o gado o valor do amanhecer. Depois, na cidade, manteve a rotina disciplinada enquanto trabalhava no posto de combustível da família Pereira. Mais tarde, realizou o sonho de ter seu próprio negócio: a Mercearia São Geraldo, onde, ao lado de Matildes, construiu mais que uma clientela – construiu amizades, respeito e confiança. As crianças que passavam rumo à escola, os fregueses do pão da manhã, todos encontravam em Geraldo um olhar atento, um bom conselho e uma palavra amiga.
Homem íntegro, calado, observador, mas profundamente presente e dedicado à família. Gostava de visitar Trindade, onde expressava sua fé no Divino Pai Eterno, e aproveitava para rever os irmãos em especial José Wilson, seu afilhado, com quem nutria uma relação de carinho e cuidado especial. E quando o Santos jogava no estádio Serra Dourada, lá estava ele, vibrando como um menino, com brilho nos olhos.
“O que dizer de um homem como o Geraldo? Tão íntegro responsável e, acima de tudo, muito família. Um verdadeiro companheiro.”
Maria Madalena Clara de Souza – cunhada
Geraldo parte pouco depois de sua amada Matildes, como se não pudesse existir um sem o outro. Unidos em vida, permanecem unidos na eternidade, deixando um legado de amor, fé, simplicidade e dignidade.