Memorial em Homenagem às
Vítimas da Covid-19

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Romério Alberto Figueiredo

Romério nasceu em Coromandel, Minas Gerais, e viveu seus primeiros anos na comunidade rural do Douradinho. Filho do interior, cresceu entre a terra, caminhões e histórias contadas no alpendre — memórias que marcaram sua infância e ajudaram a moldar seu caráter simples, forte e acolhedor.

Estudou no Grupo Escolar José Emílio de Aguiar e na Escola Joaquim Botelho, onde foi uma criança arteira, cheia de energia e alegria. Desde jovem, apaixonou-se por caminhões. Tornou-se mecânico, profissão que exerceu por toda a vida, e também motorista. Atuou principalmente no transporte de leite, trabalho que sustentou sua família com dignidade e orgulho, deixando uma marca de compromisso e responsabilidade por onde passou.

Em determinado momento da vida, realizou um de seus sonhos: ter uma pequena “rocinha” nas proximidades da região do Alegre, onde encontrava paz ao ouvir o silêncio do campo e observar a natureza — um refúgio que o acalmava e renovava suas forças.

Casou-se com Terezinha, com quem construiu uma família baseada no amor, no companheirismo e na fé. Foi pai dedicado de Fernanda e Arthur, e também um pai afetuoso de Enne, filha do coração — um vínculo profundo que nunca precisou de explicações. Além disso, manteve com carinho a presença na vida de sua filha caçula, Júlia.

Romério valorizava intensamente a educação e fazia questão de garantir que seus filhos estudassem. Mesmo quando as contas apertavam, mantinha a fé e a esperança, dizendo sempre:
“Mês que vem vai melhorar.”

Homem de fé firme, às vezes turrão, e até um pouco ríspido em certos momentos, mas dono de um coração imenso e generoso. Amava levar os filhos e sobrinhos ao clube, reunir os amigos para uma cerveja e uma boa prosa, contar “causos”, rir alto e ouvir música. Das estradas, não tirava apenas o sustento: amava dirigir, especialmente nas viagens com a esposa, os filhos e a mãe para Goiás, onde reencontrava a família materna com muita alegria.

Sua partida, em plena pandemia da Covid-19, trouxe dor, saudade e um sentimento de revolta. Mas o que permanece é seu legado: um homem simples, alegre, trabalhador, que amava profundamente e que ensinou — com presença, afeto e esperança — que a vida vale a pena quando é vivida com coragem, fé e amor.

Romério não é apenas lembrança.
É presença viva nos que o amam hoje, amanhã e sempre.

 

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